Voo internacional longo: como enfrentar muitas horas na econômica

Voo internacional longo: como enfrentar muitas horas na econômica
Asa de avião da SKY sobre uma paisagem montanhosa
Foto: Arquivo pessoal / Eri na Rota

Viajar é incrível.

Conhecer países, culturas, aeroportos diferentes e finalmente chegar a lugares que durante muito tempo existiram apenas nos nossos planos é uma das melhores sensações que uma viagem pode proporcionar.

Mas existe uma parte desse processo que nem sempre aparece nas fotografias:

passar 8, 10, 12 horas ou mais dentro de um avião na classe econômica.

Depois de muitos voos internacionais, aprendi que não existe milagre. A poltrona continua apertada, você vai ficar algumas horas sentado, o corredor terá movimento e, em algum momento, vai querer simplesmente chegar ao destino.

Ao mesmo tempo, pequenas escolhas fazem uma diferença enorme.

Hoje eu sei qual assento prefiro, o que deixo ao meu alcance, como lido com alimentação e até quais lugares dentro do avião tento evitar.

E também já aprendi algumas coisas da pior maneira possível.

Uma delas envolveu uma dor de barriga no caminho para a Tanzânia que prefiro nunca mais repetir.

O maior problema para mim é a poltrona

Se alguém me perguntar o que mais me incomoda em um voo longo na classe econômica, minha resposta é fácil:

a posição da poltrona.

Em geral, a inclinação é limitada e o espaço entre as fileiras não permite grandes movimentos.

Depois de algumas horas, você começa a procurar uma posição diferente.

Inclina um pouco.

Arruma as pernas.

Volta.

Mexe de novo.

E ainda faltam várias horas para pousar.

É uma das diferenças que mais sinto quando comparo um voo curto com um voo internacional longo.

Nas primeiras duas horas está tudo bem.

Depois de seis, oito ou dez horas, qualquer pequeno desconforto começa a parecer muito maior.

Eu prefiro o corredor

Minha escolha de assento mudou com a experiência.

Hoje, especialmente em um voo internacional noturno e longo, minha primeira escolha costuma ser o corredor.

A janela tem sua vantagem.

É ótimo acompanhar decolagem, aproximação, cidades iluminadas e paisagens que aparecem durante o voo.

Mas depois de muitas horas no avião, eu valorizo mais uma coisa:

liberdade para levantar.

No corredor, consigo sair sem precisar acordar ou pedir licença para duas pessoas.

Posso ir ao banheiro.

Posso caminhar um pouco.

Posso simplesmente levantar por alguns minutos.

Em voos longos gosto de circular um pouco, principalmente depois de ficar várias horas sentado.

Para mim, essa autonomia vale mais do que a janela.

Evito ficar perto do banheiro

Outra escolha que faço quando posso é evitar assentos muito próximos aos banheiros.

Existe um motivo bem prático.

Depois das refeições, muita gente resolve levantar praticamente ao mesmo tempo.

Começa uma pequena fila.

Pessoas ficam paradas no corredor.

Outras estão esperando.

Alguém apoia na poltrona.

Outro passageiro passa.

E se você estiver no corredor exatamente naquela região, existe uma grande chance de ter movimento constante ao seu lado.

É aquele tipo de detalhe que talvez não pareça importante quando você olha o mapa de assentos antes da viagem.

Depois de dez horas ali, começa a fazer diferença.

Então, quando tenho opção de escolha, prefiro uma poltrona de corredor, mas não colada aos banheiros.

Minha garrafa de água vai direto para o bolsão da poltrona

Ilustração de garrafa de água no bolsão da poltrona do avião
Foto: Arquivo pessoal / Eri na Rota

Uma coisa simples que faço praticamente sempre é levar uma garrafinha de água comigo.

Depois de passar pela segurança e conseguir água, ela fica na minha mochila.

Quando chego ao meu assento, uma das primeiras coisas que faço é tirá-la e deixar no bolsão à minha frente.

Assim não preciso procurar dentro da mochila durante a viagem.

Tenho a sensação de que minha boca resseca bastante durante voos longos, então gosto de beber água frequentemente.

É minha bebida preferida dentro do avião.

Não tenho grandes rituais.

Não preparo uma lista enorme de coisas.

Mas água para mim é indispensável.

Fone de ouvido também nunca falta

Outro item que sempre levo é fone de ouvido.

Mesmo quando o avião possui sistema de entretenimento, prefiro ter o meu comigo.

Um voo longo tem muito tempo morto.

Depois da refeição, depois que as luzes diminuem e depois que você já olhou algumas vezes para o mapa tentando descobrir quanto falta para chegar, ter alguma forma de entretenimento ajuda bastante.

Música, filme, podcast ou simplesmente algo que ajude a isolar um pouco o movimento da cabine.

Se o voo é durante o dia, também gosto de levar um livro.

Durante um voo noturno, porém, minha estratégia é muito mais simples:

eu durmo.

Eu durmo como uma pedra no avião

Talvez eu tenha uma vantagem importante para enfrentar voos longos:

não tenho dificuldade para dormir em avião.

Durmo como uma pedra.

Dependendo de como cheguei ao aeroporto e do cansaço acumulado, o avião praticamente decola e eu já estou me preparando para dormir.

Isso muda completamente minha percepção de um voo longo.

Se consigo dormir quatro, cinco ou seis horas, uma viagem de dez horas parece muito menor.

Tem gente que sofre muito para dormir sentada.

Eu felizmente nunca tive esse problema.

Quando percebo que será uma noite tranquila, tento me acomodar e aproveitar.

Nem sempre precisa ocupar cada minuto

Algo que fui aprendendo é que não preciso transformar um voo em uma programação.

Você não precisa assistir cinco filmes porque existem cinco filmes disponíveis.

Não precisa trabalhar.

Não precisa ler um livro inteiro.

Não precisa acompanhar a rota a cada 15 minutos.

Às vezes simplesmente descansar é a melhor coisa que você pode fazer.

Principalmente quando existe outra conexão depois.

Em algumas viagens internacionais, chegar ao primeiro aeroporto é apenas metade do caminho.

Você ainda vai desembarcar, caminhar pelo terminal, passar por controles, encontrar outro portão e entrar novamente em outro avião.

Guardar um pouco de energia faz diferença.

Comida de avião nunca foi um grande problema para mim

Eu não tenho grandes dificuldades com alimentação durante os voos.

Normalmente como o que é servido e sigo a viagem.

Minha prioridade continua sendo água.

Mas aprendi uma coisa importante fora do avião:

ser muito mais criterioso com aquilo que como durante uma viagem longa.

Essa lição veio de uma das piores experiências que já tive durante um deslocamento internacional. Quanto mais tempo eu dormir, menos tempo vou perceber que estou dentro daquele avião.

O doce que quase acabou com minha viagem para a Tanzânia

Ilustração de doce na bandeja do avião e paisagem da Tanzânia
Foto: Arquivo pessoal / Eri na Rota

Eu estava viajando para a Tanzânia, com escala em Doha.

Em algum momento da viagem comi um doce cuja higiene, digamos assim, era bastante duvidosa.

Na hora não pensei muito.

Comi.

Depois descobri que provavelmente não tinha sido uma boa ideia.

Antes de chegar à Tanzânia comecei a sentir uma dor de barriga muito forte.

Não era apenas um desconforto.

Vieram calafrios.

Dor.

Vômito.

E toda aquela combinação de sintomas que você definitivamente não quer enfrentar enquanto está viajando.

É muito ruim passar mal.

Passar mal durante uma viagem internacional, preso entre aeroportos e aviões, consegue ser muito pior.

Você não está em casa.

Não conhece necessariamente o aeroporto.

Talvez não fale o idioma.

Não sabe exatamente onde conseguirá atendimento.

E ainda precisa chegar ao destino.

Foi uma experiência extremamente complicada.

Depois disso, mudei minha relação com comida durante viagens

Desde aquela situação, fiquei muito mais cuidadoso.

Especialmente antes de um voo longo ou durante uma conexão.

Se alguma coisa não me passa confiança, prefiro não experimentar.

Não importa se parece interessante.

Não importa se estou curioso.

Não importa se provavelmente não vai acontecer nada.

Depois de já ter vivido a experiência de passar muito mal antes de chegar ao destino, minha avaliação mudou.

Experiências gastronômicas fazem parte das minhas viagens.

Mas elas precisam fazer sentido.

Hoje sigo uma regra bastante simples:

se meus olhos não aprovam, eu não como.

O melhor voo longo começa antes de entrar no avião

Depois de viajar bastante, percebi que o conforto não começa quando você senta.

Começa na forma como você chega ao aeroporto.

Se você já embarca estressado, correndo, com fome e cansado de uma maneira ruim, aquelas dez horas dentro do avião tendem a parecer ainda maiores.

Quando consigo chegar com tranquilidade, resolver bagagem, passar pelos controles e esperar o voo sem correria, embarco muito melhor.

Essa é uma das razões pelas quais evito trabalhar com horários muito apertados em viagens internacionais.

Prefiro esperar um pouco no aeroporto a começar uma viagem longa correndo para não perder o avião.

Roupa confortável faz mais diferença do que aparência

Também não vejo sentido em complicar a roupa de um voo longo.

Minha prioridade é conforto.

Você ficará sentado durante horas.

Vai dormir.

Vai levantar.

Vai atravessar aeroportos.

Dependendo da viagem, talvez ainda tenha outra conexão.

Então o que funciona para uma fotografia de embarque não necessariamente será agradável oito horas depois.

O mesmo vale para aquilo que você leva para dentro do avião.

Quanto menos precisar ficar abrindo mala, pegando objetos e procurando coisas, melhor.

Por isso gosto de deixar o essencial facilmente acessível.

Água.

Fone.

Documentos.

Celular.

E, durante o dia, meu livro.

Um voo de dez horas não precisa ser dez horas de sofrimento

Ilustração de passageira descansando com fones e travesseiro no avião
Foto: Arquivo pessoal / Eri na Rota

Acho que existe um pouco de exagero quando se fala sobre voos muito longos.

Claro que classe econômica tem limitações.

Não vou romantizar uma poltrona apertada.

Mas também não acho necessário transformar aquilo em um sofrimento antecipado.

Para mim, funciona melhor aceitar a realidade.

Vou ficar muitas horas ali.

Então escolho o assento que funciona melhor para mim.

Bebo água.

Levanto quando quero.

Escuto alguma coisa.

Leio se for dia.

Durmo se for noite.

E sigo viagem.

O avião é parte do caminho.

Não é o destino.

O corredor ganhou definitivamente da janela

Se você estiver fazendo seu primeiro voo realmente longo e não sabe onde sentar, pense no seu comportamento.

Se consegue ficar oito horas sem levantar quase nenhuma vez e gosta de observar a paisagem, talvez a janela seja excelente.

Se vai ao banheiro com frequência, gosta de esticar as pernas ou simplesmente não quer depender dos outros para levantar, talvez entenda rapidamente por que passei a gostar tanto do corredor.

Eu já fiz minha escolha.

Em voo longo, especialmente à noite, corredor.

E depois de pousar?

Existe uma sensação interessante quando termina um voo muito longo.

Nas últimas horas você começa a querer chegar.

Olha o mapa.

Falta uma hora.

Depois 45 minutos.

  1.  

Começa a movimentação da cabine.

As pessoas acordam.

A tripulação organiza tudo.

E finalmente você pousa.

A sensação é muito boa, principalmente quando aquele voo está levando você para um lugar que sonhou conhecer.

Mas existe também algo que fui percebendo quanto mais viajei.

Por mais interessante que seja conhecer o mundo, começar uma viagem e descobrir lugares diferentes, existe outra sensação igualmente especial:

voltar para casa.

O que aprendi depois de tantos voos longos

Aprendi que não preciso levar dezenas de acessórios para sobreviver a dez horas de avião.

Aprendi que prefiro corredor.

Aprendi que não quero ficar perto do banheiro.

Aprendi a deixar água ao meu alcance.

Aprendi que dormir é provavelmente meu melhor entretenimento.

Aprendi também, da pior maneira possível, a não comer qualquer coisa simplesmente porque estou viajando.

E principalmente aprendi a colocar o voo no lugar certo.

Ele é o caminho para alguma coisa maior.

Às vezes será cansativo.

Às vezes desconfortável.

Às vezes você contará as horas para pousar.

Mas quando a porta abre e você percebe que está em outro país, muitas dessas horas ficam para trás rapidamente.

Depois de tantos voos longos, minha conclusão é um pouco diferente daquela ideia de que quem ama viajar quer estar sempre longe:

é incrível viajar e passear, mas é igualmente incrível voltar para o conforto do seu lar, por mais simples que ele seja.

Talvez seja justamente essa alternância que faça as duas coisas terem tanto valor.