Casablanca em 24 horas: o que fazer em uma conexão longa

Casablanca em 24 horas: o que fazer em uma conexão longa
Vista da Mesquita Hassan II Foto: Arquivo pessoal / Eri na Rota

Casablanca entrou na minha história de viagem quase por acaso.

Minha primeira passagem pela cidade aconteceu durante uma conexão a caminho da Guiné-Bissau. Depois disso, repeti essa rota várias vezes e acabei conhecendo Casablanca em situações diferentes.

Já fiquei três dias, já passei dois dias e também fiz aquele verdadeiro bate e volta durante uma conexão de aproximadamente oito horas.

Por isso, quando alguém pergunta se vale a pena sair do aeroporto durante uma conexão longa em Casablanca, minha resposta é: dependendo do tempo disponível, sim.

A cidade consegue entregar uma experiência completamente diferente em poucas horas.

Você sai de um aeroporto internacional, passa pela imigração e, algum tempo depois, está caminhando por uma medina, experimentando comida marroquina e olhando para uma das construções religiosas mais impressionantes que já conheci.

Dá para sair do aeroporto durante uma conexão em Casablanca?

Antes de pensar em sair do aeroporto, a primeira coisa é verificar se você realmente tem tempo.

Não considero uma conexão de quatro ou cinco horas suficiente para começar a inventar passeio.

Existe imigração, deslocamento entre o aeroporto e a cidade, trânsito, retorno, controle de segurança e o risco de algum imprevisto.

Quando tenho oito horas ou mais, a conversa começa a mudar.

Também é importante verificar as regras de entrada vigentes para sua nacionalidade. Para brasileiros em viagens turísticas curtas, atualmente há isenção de visto para entrada no Marrocos, mas as condições devem sempre ser conferidas antes da viagem. Morocco Electronic Visa

Nas minhas entradas, o processo sempre foi simples.

Apresentei o passaporte na imigração, o agente fez o procedimento de entrada e segui viagem.

Isso não significa que será exatamente igual para todo mundo. Controle migratório sempre pode envolver perguntas ou verificações adicionais.

Como ir do aeroporto de Casablanca até a cidade

Esse é um ponto que mudou bastante desde minhas primeiras viagens.

Eu já fiz o trajeto de ônibus e de táxi. Em uma das minhas primeiras passagens pela cidade, lembro de ter usado táxi para ir do aeroporto até a região da medina.

Depois passei a utilizar trem.

Hoje, o Aeroporto Mohammed V possui estação ferroviária acessível a partir do terminal de chegadas, com ligação para Casablanca. O próprio aeroporto também oferece táxis e outras opções de transporte. Onda

Existe ainda uma alternativa relativamente nova: o Aérobus, lançado no fim de 2025. A linha conecta o aeroporto a Casablanca, passando pelos terminais 1 e 2 e seguindo até Casa Port. Segundo a administração aeroportuária, o serviço funciona a cada 30 minutos e possui tarifa única de 50 dirhams. Onda

Para quem está fazendo uma conexão longa, isso abre três possibilidades bem claras: trem, ônibus ou táxi.

Eu escolheria dependendo principalmente de quanto tempo tenho disponível.

Se minha conexão estiver apertada, valorizo mais previsibilidade e rapidez do que economia de alguns dirhams.

Não tente conhecer Casablanca inteira em oito horas

Esse é provavelmente o maior erro que eu evitaria.

Casablanca é uma cidade enorme.

Se você tem somente algumas horas, não adianta criar um roteiro com sete atrações e passar o dia inteiro correndo de um lado para outro.

Nas minhas conexões mais curtas, eu concentraria a experiência em dois lugares:

a Medina e a Mesquita Hassan II.

Eles já entregam duas experiências completamente diferentes da cidade.

Caminhando pela Medina de Casablanca

A Medina é um lugar interessante justamente porque você começa a perceber outra dinâmica da cidade.

Ruelas.

Comércio.

Pequenas lojas.

Cheiros diferentes.

Pessoas circulando.

Comida.

Produtos tradicionais.

É aquele tipo de lugar onde gosto de andar sem transformar tudo em uma sequência de pontos para fotografar.

O órgão oficial de turismo do Marrocos destaca a medina de Casablanca como uma das mais recentes do país, reconstruída após o terremoto de 1755 e marcada pela mistura de arquitetura árabe-islâmica com influências europeias. Visite Marrocos

Se tenho pouco tempo, prefiro caminhar, observar e comer alguma coisa.

A experiência está muito mais na atmosfera do que em tentar cumprir uma lista.

Mesquita Hassan II: o lugar que mais me marcou em Casablanca

Mesquita Hassan II. Foto: Arquivo pessoal / Eri na Rota

Se eu tivesse que escolher somente um lugar para conhecer na cidade, seria a Mesquita Hassan II.

Ela me impressionou desde a primeira vez.

A localização ajuda muito.

A mesquita está praticamente de frente para o Atlântico, criando uma combinação muito bonita entre arquitetura, céu e mar.

É uma construção gigantesca, extremamente detalhada e que transmite imponência mesmo antes de você entrar.

O órgão oficial de turismo marroquino coloca a Hassan II entre os principais símbolos de Casablanca e destaca justamente sua posição junto ao oceano e sua arquitetura monumental. Visite Marrocos

Mesmo depois de visitar muitos países, esse é um daqueles lugares que continuam na minha memória.

Se puder, veja o pôr do sol na Mesquita Hassan II

Essa é provavelmente a coisa que eu faria questão de organizar se tivesse hoje uma conexão de aproximadamente 24 horas.

Tentaria estar na Mesquita Hassan II no fim da tarde.

Dependendo da época do ano, a luz muda completamente o cenário.

As tonalidades amarelas e douradas começam a aparecer na construção enquanto o mar continua ao fundo.

É um lugar que já é bonito durante o dia e fica ainda mais interessante conforme o sol baixa.

Se estiver planejando especificamente esse momento, consulte o horário do pôr do sol no dia da viagem.

Eu organizaria o restante da visita em torno disso.

Dá para entrar na Mesquita Hassan II?

A mesquita recebe visitantes não muçulmanos em visitas organizadas, respeitando dias e horários determinados.

Informações turísticas oficiais indicam visitas guiadas, com restrições em momentos de oração e em determinados dias. Visite Marrocos

Como horários podem mudar, principalmente durante períodos religiosos, eu confirmaria antes de sair do aeroporto.

Mesmo que você não consiga entrar, considero a área externa suficientemente impressionante para justificar a visita.

Minha primeira impressão de Casablanca

Centro de CasaBlanca Foto: Arquivo pessoal / Eri na Rota

Casablanca me causou uma impressão muito forte de contraste.

Em determinados pontos você encontra grandes avenidas, edifícios modernos, infraestrutura e áreas muito bem cuidadas.

Pouco depois, o cenário pode mudar completamente.

Nas minhas visitas, vi regiões com lixo, construções muito simples e sinais claros de desigualdade.

Esse contraste chamou muito minha atenção.

O próprio turismo oficial apresenta Casablanca como uma metrópole onde infraestrutura moderna convive com bairros históricos e diferentes heranças arquitetônicas. Visite Marrocos

É uma cidade que não considero homogênea.

E talvez justamente por isso ela seja interessante de observar.

Comer em Casablanca foi uma das melhores surpresas

Uma coisa de que sempre gostei no Marrocos foi a comida.

Nas minhas experiências, consegui comer muito bem sem gastar valores que considerasse altos.

Restaurantes árabes, pequenos estabelecimentos e comidas locais tornam fácil transformar uma parada de algumas horas também em uma experiência gastronômica.

Eu não montaria uma conexão em Casablanca comendo apenas dentro do aeroporto.

Se tiver tempo suficiente para entrar na cidade, experimentaria alguma comida local.

Isso faz parte da imersão.

Quanto custa sair do aeroporto?

Aqui eu prefiro não transformar minha experiência antiga em tabela de preços atuais.

Em uma das viagens, lembro de ter pago aproximadamente US$ 50 pelo transporte de ida e volta entre o aeroporto e a região da medina.

Mas esse valor representa aquela viagem específica.

Hoje existem trem, Aérobus e táxis, então o custo pode mudar completamente conforme a opção escolhida.

Atualmente, por exemplo, a ONCF anuncia tarifas ferroviárias entre Casablanca e o Aeroporto Mohammed V a partir de aproximadamente 50 dirhams, e o Aérobus oficial também trabalha com tarifa de 50 dirhams. Oncf Voyages

Por isso, não usaria meu antigo valor de táxi como referência de quanto você necessariamente pagará hoje.

Dinheiro em Casablanca

Nas minhas viagens, uma das primeiras coisas que fazia era conseguir moeda local.

Já utilizei meu cartão Wise para sacar dinheiro em caixa eletrônico no aeroporto e funcionou normalmente para mim.

Essa experiência é justamente um dos motivos pelos quais gosto de viajar com uma combinação de cartão e dinheiro.

Mesmo em lugares onde cartão funciona, gosto de ter dirhams marroquinos em espécie para pequenos gastos, alimentação, transporte ou comércio local.

Se você quiser entender melhor como faço isso, já escrevi no Eri na Rota um artigo específico sobre como uso a Wise no exterior para pagar e sacar moeda local.

Esse é exatamente o tipo de ligação entre conteúdos que quero construir no blog: você não precisa explicar tudo novamente dentro de cada artigo.

Idioma: dá para se virar?

Nas minhas viagens, consegui me virar.

Meu inglês não é perfeito e nunca foi uma barreira suficiente para me impedir de viajar.

No Marrocos, os idiomas oficiais são árabe e amazigue. Maroc

Na prática, você também encontra bastante francês em muitos contextos.

Eu consegui resolver transporte, aeroporto e outras necessidades básicas sabendo exatamente para onde queria ir e utilizando inglês quando necessário.

Hoje, com mapa, tradução pelo celular e internet, considero a situação ainda mais simples.

Segurança durante uma conexão

Nunca tive uma situação grave de segurança nas minhas passagens por Casablanca.

Mas uso os mesmos cuidados que teria em qualquer cidade grande.

Não exponho dinheiro.

Cuido do telefone.

Se estou em uma área movimentada, presto atenção aos meus pertences.

E principalmente durante uma conexão, controlo muito o horário.

Para mim, o maior risco não é necessariamente estar na cidade.

É se empolgar com o passeio e começar a voltar tarde demais para o aeroporto.

Quanto tempo antes devo voltar?

Eu não arriscaria.

O próprio Aeroporto Mohammed V recomenda chegar aproximadamente três horas antes da saída do voo para realizar o processo de embarque com tranquilidade. Onda

Se estou fazendo uma conexão internacional, prefiro estar de volta com folga.

Uma atração pode ficar para outra viagem.

Um voo perdido pode gerar uma dor de cabeça enorme.

E se eu tiver dois ou três dias?

Foto: Arquivo Pessoal /Eri na Rota

A experiência muda completamente.

Como já fiquei dois e três dias em Casablanca, sei que você deixa de fazer apenas uma escapada de conexão e passa a ter tempo para caminhar sem tanta pressão.

Nesse caso, eu consideraria dormir na cidade, explorar com mais calma a medina, conhecer a região central, observar a arquitetura e aproveitar melhor a gastronomia.

Também faria novamente a Mesquita Hassan II, mas sem aquela preocupação constante de olhar o relógio.

Para uma estadia assim, a localização da hospedagem passa a ser importante.

É justamente aí que um artigo como “onde ficar em Casablanca” pode virar outro conteúdo futuro — e também uma oportunidade natural de integrar a Booking ao blog sem forçar uma venda dentro deste artigo.

O que eu faria em uma conexão de oito horas hoje

Eu seria bastante objetivo.

Sairia do aeroporto assim que concluísse a imigração.

Seguiria diretamente para a cidade.

Passaria pela medina.

Comeria alguma coisa local.

Iria à Mesquita Hassan II.

E voltaria para o aeroporto com bastante antecedência.

Nada de querer conhecer Casablanca inteira.

Uma boa conexão longa não é aquela em que você visita mais lugares.

Uma conexão longa em Casablanca vale a pena?

Para mim, vale.

Principalmente pela imersão cultural.

Em poucas horas você sai completamente do ambiente internacional do aeroporto e entra em outra realidade.

Arquitetura.

Idioma.

Comida.

Comércio.

Religião.

Oceano.

Medina.

É muito diferente de passar oito horas sentado em uma cadeira esperando o próximo voo.

E foi justamente dessa maneira que Casablanca deixou de ser apenas um aeroporto de conexão para se transformar em um lugar que visitei várias vezes.

Se eu pudesse escolher somente uma lembrança para representar essas passagens pela cidade, provavelmente seria estar diante da Mesquita Hassan II olhando o Atlântico.

Porque algumas vezes uma conexão não precisa ser apenas uma espera.

Ela pode virar parte da viagem.É aquela em que consegue viver alguma coisa diferente sem colocar seu próximo voo em risco.