Miami pela primeira vez: o que eu gostaria de saber antes de viajar

Minha primeira viagem internacional foi para Miami, em fevereiro de 2017.
Chegamos por volta das 18h e ficamos dez dias.
Hoje, depois de conhecer muitos outros países e cidades, continuo tendo uma relação especial com Miami. Foi ali que comecei, na prática, a descobrir como funcionava uma viagem internacional: imigração, transporte, aluguel de carro, compras, alimentação e aquela mistura de ansiedade com a sensação de finalmente estar vivendo algo que durante muito tempo pareceu distante demais da minha realidade.
Também cometi erros.
Gastei mais do que precisava com transporte, não conhecia direito a dinâmica da cidade e tive vários daqueles pequenos perrengues que fazem parte de uma primeira viagem.
Talvez seja justamente por isso que hoje consigo olhar para trás e pensar:
eu gostaria que alguém tivesse me explicado algumas coisas antes de embarcar.
Miami foi exatamente o que eu imaginava — e ainda assim me surpreendeu
Chegar a Miami pela primeira vez foi marcante.
Eu vinha de uma realidade em que aquela viagem parecia algo muito distante. Estar finalmente nos Estados Unidos, andando pelas ruas de Miami e conhecendo lugares que eu só tinha visto pela televisão e pela internet teve um peso enorme para mim.
Até hoje considero Miami uma das minhas cidades favoritas nos Estados Unidos.
Ela tem praia, compras, bairros completamente diferentes entre si, gastronomia, arte, vida noturna e uma mistura cultural muito forte.
Essa diversidade é uma das características mais marcantes da região.
Miami não é aquela imagem homogênea de “cidade americana” que alguém pode construir antes de viajar. Existem bairros com identidades latinas, caribenhas e de diversas outras comunidades extremamente presentes no cotidiano.
Em algumas regiões de Downtown, tive experiências que não foram tão agradáveis quanto em outras partes da cidade, mas isso também me ensinou a não criar uma visão idealizada de nenhum destino.
Nenhuma cidade é perfeita.
Onde fiquei na primeira viagem

Na primeira vez, fiquei hospedado em North Miami.
Não era a localização mais central para quem pretende passar o dia inteiro entre South Beach, Downtown e outras atrações turísticas.
Mesmo assim, gostei muito da experiência. No Booking você encontra diversas opções para hospedagem.
Ficar um pouco afastado das principais zonas turísticas me permitiu observar melhor o cotidiano das pessoas que realmente moram na região.
Mercados.
Bairros residenciais.
Trânsito.
Restaurantes frequentados por moradores.
Esse é um estilo de viagem de que sempre gostei.
Não quero conhecer apenas aquilo que foi preparado para o turista. Gosto de observar como a cidade funciona quando ninguém está tentando apresentar uma atração.
Para uma primeira viagem, porém, eu avaliaria localização com bastante atenção.
Miami e toda a região de Miami-Dade são muito espalhadas.
Economizar na hospedagem e ficar muito longe dos lugares que você pretende conhecer pode significar gastar a diferença inteira em transporte.
Miami Beach não pode ficar de fora
Se eu tivesse que indicar um lugar obrigatório para quem visita Miami pela primeira vez, começaria por Miami Beach.
E dentro dela, naturalmente, South Beach.
Gostei demais daquela região.
Não é apenas a praia.
Existe uma atmosfera própria.
Você tem mar, calçadão, arquitetura, restaurantes, pessoas praticando atividades físicas e aquele movimento que muita gente associa imediatamente a Miami.
É um lugar onde eu reservaria pelo menos algumas horas sem pressa.
Caminharia pela região.
Conheceria a praia.
Observaria o movimento.
Sentaria para comer alguma coisa.
Miami Beach também é um ótimo exemplo de como o preço pode mudar conforme a região.
Comer próximo às áreas mais movimentadas e turísticas pode custar bastante mais.
Downtown também precisa entrar no roteiro

Outro lugar que considero importante é Downtown Miami.
É uma experiência completamente diferente de Miami Beach.
Prédios altos, áreas comerciais, transporte público, movimento e atrações próximas umas das outras criam uma imagem mais urbana da cidade.
É uma região onde o transporte público pode ser especialmente útil.
Miami-Dade possui Metrorail, Metrobus e o Metromover, que circula gratuitamente por partes de Downtown e Brickell. Miami-Dade County
Para quem está hospedado ou passeando por essa região, o Metromover pode ajudar bastante a reduzir deslocamentos a pé.
Separe uma noite para o Bayside Marketplace
Uma das coisas de que lembro com carinho é o Bayside Marketplace.
Eu deixaria para visitar no final da tarde e permanecer um pouco durante a noite.
Ele fica às margens da Biscayne Bay, no coração de Downtown, e reúne lojas, restaurantes, entretenimento e passeios de barco. Atualmente, o Bayside possui mais de 150 lojas e opções de alimentação. Bayside
O que mais gosto ali é justamente o ambiente.
Você encontra pessoas de vários lugares, música, comida e bastante movimento.
Para quem está conhecendo Miami pela primeira vez, é um lugar que ajuda a perceber aquela diversidade cultural tão característica da cidade.
Wynwood: arte a céu aberto
Outro lugar que eu colocaria sem dúvida no roteiro é Wynwood.
Se você gosta de fotografia e arte urbana, dificilmente vai sair de lá sem dezenas de imagens.
A região é conhecida pelos murais e pela arte de rua.
Dentro dela está o Wynwood Walls, um espaço dedicado à arte urbana contemporânea que começou em 2009 e já recebeu mais de 130 artistas de cerca de 30 países. Wynwood Walls
É importante fazer uma pequena diferença:
o bairro de Wynwood possui muita arte espalhada pelas ruas, enquanto o Wynwood Walls propriamente dito é hoje uma atração organizada com acesso próprio.
Mesmo caminhando pela região, você já encontra bastante coisa interessante.
Para mim, é um daqueles lugares que rendem fotografias que você guarda por muitos anos.
E as compras?
Miami é praticamente impossível de separar das compras.
Na minha primeira viagem, os outlets naturalmente entraram no roteiro.
Existem várias opções na região de Miami e no sul da Flórida, e dependendo do seu interesse por compras, isso pode ocupar facilmente um dia inteiro.
Minha recomendação hoje seria apenas não transformar toda a viagem nisso.
Se você gosta de compras, visite.
Compare preços.
Reserve espaço na mala.
Mas Miami tem muito mais a oferecer do que simplesmente lojas.
Na minha primeira viagem, eu queria conhecer tudo quanto fosse outlet possível.
Hoje provavelmente equilibraria melhor compras e cidade.
Carro alugado fez muita diferença
Uma das maiores lições daquela viagem foi transporte.
No começo, eu não tinha nenhuma informação realmente concreta sobre aluguel de carro.
Ouvi que Uber funcionava bem.
E funciona.
O problema é que ninguém havia enfatizado que utilizar carro por aplicativo repetidamente em uma região tão espalhada poderia pesar bastante no orçamento.
Acabei gastando muito.
Depois alugamos carro.
E para o nosso estilo de viagem funcionou muito melhor.
Tínhamos autonomia para sair quando quiséssemos, conhecer bairros mais distantes, visitar outlets e mudar o roteiro durante o dia.
Para quem pretende circular bastante por Miami-Dade e arredores, eu considero seriamente avaliar o aluguel.
Isso não significa que todo turista obrigatoriamente precisa de carro.
Dá para conhecer Miami sem carro?
Dá.
O sistema de transporte público inclui ônibus, Metrorail, Metromover e serviços complementares. O Metrorail inclusive atende o Aeroporto Internacional de Miami, e o Metromover é gratuito em sua área de operação. Miami-Dade County
Eu utilizei transporte público justamente porque gosto de atravessar diferentes bairros e observar mais a cidade.
Funciona.
Mas seu roteiro precisa estar adaptado a isso.
Se você pretende visitar pontos muito espalhados em poucos dias, o carro tende a proporcionar maior autonomia.
Se ficará principalmente entre Downtown, Brickell e regiões bem conectadas, talvez não precise de veículo durante toda a estadia.
A decisão deve vir depois do roteiro, e não antes.
Uber e Lyft funcionam muito bem, mas faça as contas
Também utilizei aplicativos.
A experiência operacional foi boa.
Você chama o carro e segue para onde precisa.
O problema aparece quando você faz isso várias vezes por dia.
Uma corrida não parece tão cara.
Cinco, seis ou sete deslocamentos começam a mudar completamente o orçamento.
Foi exatamente uma das coisas que gostaria de ter entendido antes da minha primeira viagem.
Hoje eu faria uma conta aproximada:
quanto vou gastar com aplicativos durante dez dias versus quanto custaria carro + estacionamento + combustível?
Dependendo da viagem, o resultado pode mudar bastante.
Miami é cara?

Pode ser.
Veja como eu uso a Wise no exterior
Mas também pode não ser tanto quanto parece.
Minha experiência é que Miami consegue atender orçamentos muito diferentes.
Você pode gastar bastante com um restaurante em Miami Beach.
Mas também consegue encontrar alimentação muito mais simples e barata em outros bairros.
O mesmo acontece com hospedagem, compras e transporte.
Por isso, não gosto de simplesmente classificar uma cidade inteira como “cara” ou “barata”.
Depende muito da forma como você viaja.
Uma das maiores vantagens da diversidade de Miami é justamente encontrar restaurantes de várias culturas e faixas de preço.
Se você estiver disposto a sair das áreas mais turísticas, as opções aumentam muito.
Minha primeira viagem teve bastante perrengue
Hoje é fácil olhar as fotografias e lembrar apenas das partes boas.
Mas aquela primeira viagem teve dificuldades.
Eu não dominava a logística.
Meu inglês era limitado.
Não conhecia direito transporte, aluguel de carro e dinâmica da cidade.
E tudo precisava ser descoberto durante a própria viagem.
Isso cansava.
Ao mesmo tempo, foi uma escola.
Foi ali que comecei a perceber que viajar melhor não significa necessariamente gastar mais.
Significa ter informação antes de tomar decisões.
O erro que eu evitaria: decidir transporte sem entender a cidade

Se eu tivesse que escolher uma coisa que faria diferente, seria essa.
Eu pesquisaria a geografia da cidade antes.
Marcaria no mapa:
- onde vou ficar;
- Miami Beach;
- South Beach;
- Downtown;
- Bayside;
- Wynwood;
- outlets;
- aeroporto.
Depois analisaria as distâncias.
Só então escolheria entre carro, transporte público e aplicativos.
Parece óbvio hoje.
Na minha primeira viagem, não era.
E acredito que muitos viajantes cometem exatamente esse erro.
Escolhem hotel porque está barato.
Depois descobrem que tudo fica longe.
Ou decidem utilizar somente Uber e percebem, alguns dias depois, quanto já gastaram.
Quantos dias eu ficaria em Miami?
Minha primeira experiência foi de dez dias.
Foi ótimo porque não precisava fazer tudo correndo.
Para uma primeira visita mais curta, eu considero que algo entre quatro e cinco dias completos já permite montar um roteiro interessante.
Por exemplo:
Dia 1: Miami Beach + South Beach
Dia 2: Downtown + Bayside
Dia 3: Wynwood + outros bairros
Dia 4: compras/outlet
Dia 5: livre para repetir algum lugar, praia ou conhecer outra região
Se tiver dez dias, melhor ainda.
Você consegue diminuir o ritmo e conhecer mais do cotidiano.
Onde eu ficaria hoje?
Dependeria da viagem.
Para alguém que quer praia como prioridade, analisaria Miami Beach.
Para quem pretende combinar transporte público, Downtown e Brickell, consideraria regiões próximas dessas áreas.
Para quem terá carro e deseja uma experiência mais residencial, áreas mais afastadas também podem funcionar.
Minha experiência em North Miami foi justamente essa.
Fiquei mais distante, mas consegui conhecer outro lado da região.
O mais importante é não olhar apenas o valor da diária.
Veja no mapa onde você estará.
Isso pode valer mais do que uma pequena economia no hotel.
Uma cidade marcada pela diversidade
Talvez uma das coisas mais importantes para quem visita Miami pela primeira vez seja entender que ela é profundamente multicultural.
Você ouvirá muito espanhol.
Encontrará comunidades com raízes em diferentes países da América Latina e do Caribe.
Vai comer comidas de várias partes do mundo.
E bairros podem ter identidades completamente diferentes entre si.
Em vez de procurar uma única imagem de “como é uma cidade americana”, considero muito mais interessante observar justamente isso.
Miami possui uma identidade própria.
E essa mistura faz parte dela.
Para quem vai a Miami pela primeira vez, meu principal conselho é…

aproveite a diversidade cultural que você vai encontrar.
Não faça apenas praia.
Não faça apenas compras.
Não fique apenas dentro das áreas turísticas.
Caminhe.
Use algum transporte público.
Coma em bairros diferentes.
Visite Wynwood.
Passe uma noite no Bayside.
Veja Downtown.
E naturalmente aproveite Miami Beach.
Minha primeira viagem internacional começou ali em 2017.
Desde então conheci muitos outros lugares, mas Miami continua ocupando um espaço diferente na minha história.
Talvez porque tenha sido a primeira.
Talvez porque naquele momento estar ali representasse algo que durante muito tempo pareceu impossível.
Ou talvez simplesmente porque Miami tenha essa capacidade de misturar praia, cidade, arte, compras e culturas em um mesmo destino.
Para mim, Miami foi muito mais do que minha primeira cidade fora do Brasil. Foi o lugar onde comecei a entender que viajar pelo mundo era realmente possível.
